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terça-feira, 28 de março de 2017

Conheça o Morgan Threewheeler

Fornecido por Motorpres:Carro, moto, avião: conheça o Morgan Threewheeler | Autor: Dany Heyne
Pode parecer clichê, mas quando você entra na fábrica da Morgan, em Malvern Link, no condado de Worcestershire, a sensação é de iniciar uma viagem no tempo. E não é para menos, já que as instalações têm mais de cem anos (embora atualmente qualquer prédio com aparência antiga possa esconder uma tradicional fábrica familiar ou sediar uma moderna empresa de aplicativos para celular). Estamos aqui para conhecer um dos modelos mais emblemáticos (senão o mais) da marca britânica, o Threewheeler, que praticamente definiu o destino da Morgan. Então, nada melhor do que conhecer um breve histórico do modelo. A empresa foi fundada por Henry Frederick Stanley Morgan, um desenhista técnico cuja primeira experiência motorizada (por volta de 1900, em uma descida de montanha) terminou de maneira acidentada a bordo de um Benz com motor de 3 cv alugado. Os custos de reparo foram de aproximadamente 28 libras e adiaram o sonho do jovem Morgan de adquirir o seu próprio carro. Somente alguns anos mais tarde o jovem Morgan conseguiu se tornar o proprietário de um Eagle Tandem, um antigo modelo de triciclo inglês equipado com um motor De Dion arrefecido a água capaz de gerar 8 cv (bastante para a época). Em 1905, graças ao entusiasmo (e dinheiro) de seu pai, Henry inaugura sua oficina em Malvern Link e, em seguida, o primeiro serviço regular de ônibus do país. Na mesma época, ele compra um motor Peugeot de 7 cv pensando em construir uma moto apenas por diversão. O resultado, porém, foi um veículo de três rodas, com chassi tubular, bastante leve e que proporcionava muito prazer ao dirigir. Batizado de Runabout, o modelo foi muito elogiado pelos amigos de Morgan, que o incentivaram a construir mais unidades. Seu pai contribuiu finaceiramente mais uma vez e, em 1910, foi registrada a primeira patente do modelo. No ano seguinte, houve a primeira aparição em uma feira - e as primeiras encomendas. O sucesso estava a caminho.
O trabalho de Morgan com seu Threewheeler foi nas competições, e o empresário utilizava o dinheiro dos prêmios para reinvestir em sua fábrica. Hoje isso seria considerado “marketing de guerrilha”, mas para Morgan era apenas uma questão de lógica. O sucesso obtido pelo seu modelo de dois lugares com três rodas e motor de dois cilindros foi tão grande que Morgan ficou apreensivo. Em busca de ajuda, procurou outros fabricantes, mas ninguém se dispôs a auxiliá-lo. Por isso, procurou seu pai mais uma vez e investiu em novas instalações e maquinário. De volta ao presente, estamos no prédio em que o Threewheeler é construído artesanalmente, prestes a presenciar o momento em que um chassi recebe o motor V2 arrefecido a ar da americana S&S e a caixa de câmbio do Mazda MX-5 devidamente adaptada. A parte elétrica do triciclo parece extremamente simples. Freios ABS? controle de estabilidade? Nada disso.
Na estação seguinte da linha de produção, vemos uma estrutura de alumínio recém-pintada. Quem observar atentamente vai perceber o suporte de madeira. E é assim mesmo, tradição e processos artesanais são preservados nesta fábrica e deve continuar assim. E não é à toa, já que o nome Morgan permanece nos registros de propriedade da empresa até hoje. Não deixa de ser admirável que, em plena era da automação, uma fabricante de veículos se mantenha tão fiel às origens. PRODUÇÃO SEM PRESSA. Os homens que trabalham na produção não têm nenhum cronômetro determinando o ritmo deles. Mas cada Threewheeler demora cerca de 40 horas para ser construído. Não há estresse, tudo parece estar sob controle e, enquanto os carros são montados, os funcionários encontram tempo até para contar piadas. O clima parece até o de um bar, com parafusos sendo apertados enquanto tomam uma cerveja. Mas não se engane. Essa descontração só ocorre porque os carros são bem produzidos. A cada ano, cerca de 1.000 modelos Morgan são entregues, sendo 200 Threewheeler. Quem deseja adquirir um tem de aguardar entre seis meses e um ano. E a fila de espera não diminui. Quando um Threewheeler está terminado e pronto para uso, é necessário fazer um teste para checar se tudo foi montado de acordo. O percurso inclui algumas estradinhas sinuosas da região, que poderiam causar algum incômodo se o Morgan fosse um carro “normal”. Vamos acelerar uma unidade recém-finalizada em sua avaliação final. Depois de empurrar o leve triciclo além dos portões, recebemos permissão para acelerar, e, após os primeiros quilômetros, estamos absolutamente inebriados com o carrinho. Não somente pelo grunhido emitido pelo motor V2 de 2.0 litros, pelo funcionamento suave do câmbio ou pela excepcional visão proporcionada para qualquer ângulo. O conjunto é soberbo.
Pode-se dizer que é uma verdadeira obra de arte. Quem poderia imaginar que, em 2017, você se acomoda em uma banheira com pintura impecável e três rodas, posicionado a apenas 15 cm do chão e se sentir tão à vontade? O campo de visão periférico se transforma em borrões, já que me mantenho focado na pequena tira negra de asfalto à minha frente. A impressão, aliás, é de que a estrada é só um pouco mais larga do que a bitola dianteira. Os freios com duplo circuito se mostram muito confiáveis e as respostas do volante encantam. Parece até que movimento as rodas diretamente com as mãos! Mas é preciso deixar claro que esse não é um carro para a utilização diária. Conduzir o Morgan Threewheeler por uma tranquila e sinuosa estrada vicinal é uma experiência que todo apaixonado por velocidade deveria vivenciar pelo menos uma vez na vida. Não há comparação. Fonte: http://www.msn.com - Fornecido por Motorpress Carro, moto, avião: conheça o Morgan Threewheeler | Autor: Dany Heyne

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